O ‘infeliz’ Thomaz Bellucci

Nos últimos três anos, sempre nessa época do ano, venho exaltando a oportunidade de sucesso de Thomaz Bellucci no Brasil Open. Nos últimos três anos, sempre nessa época do ano, venho quebrando a cara.

Após assistir ‘in loco’ a atuação tenebrosa do brasileiro no Esporte Clube Pinheiros e a terceira eliminação consecutiva do paulista na estreia do Aberto de São Paulo, fui para a entrevista coletiva pensando o que eu iria perguntar ao principal tenista de simples do país.

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No imaginário, tentei entender o modo de funcionamento da cabeça de Thomaz, o motivo de tantos apagões dentro da quadra, a pressão que carrega, os possíveis problemas físicos e psicológicos, o suor excessivo e o fato de seu corpo perder mais água do que o normal…

Sei lá!

Era tanta coisa que minha viagem acabou cedo, interrompida pela simples pergunta que me saiu na hora:

‘Thomaz, o quanto dói mais uma eliminação em casa diante de uma torcida que espera tanto de você?

’ Na resposta, o brasileiro iniciou com a fala de sempre, lamentando o resultado (6-2, 6-0 para o argentino Diego Schwartzman) e mais um desempenho abaixo do esperado na sua cidade natal, mas quebrou o script ao tocar, com sinceridade, num ponto importante: a falta de motivação e alegria para jogar tênis.

Isso explica muita coisa, inclusive o problema que já citei aqui e costumo chamar de físico-psíquico — quando Thomaz cai de rendimento drasticamente durante os jogos.

O que pode estar por trás de tudo, na verdade, é muito mais simples (e complexo) do que parece: a falta de alegria, de leveza, do ‘tesão’ de pisar na quadra e desfrutar de cada ponto, de cada momento.

Seja pela cobrança excessiva, pelo desgaste do dia a dia, pelos resultados ou por qualquer outro motivo, o fato é que Bellucci, hoje, não é feliz jogando tênis — e o público sente na pele.

O jogo desta terça-feira no Esporte Clube Pinheiros foi uma tristeza geral, uma nítida falta de conexão entre torcida e um jogador completamente apático.

hermano Schwartzman, que não tinha nada a ver com isso, deitou, rolou e até pedalou com um ‘pneu’ no último set.

Varios

Apesar do vexame e de mais uma decepção de um tenista tecnicamente ótimo, mas sem equilíbrio algum, desejo só uma coisa a Thomaz Bellucci: que volte a ter propósito no que faz.

E o Brasil Open que começou com seis brasileiros na chave de simples, segue apenas com João Souza ‘Feijão’ na disputa.

Além de Bellucci, Guilherme Clezar, Orlando Luz, Rogério Dutra Silva e Thiago Monteiro ficaram pelo caminho.

O cearense, aliás, teve parte do jogo na mão contra Carlos Berlocq, mas abusou dos erros não forçados e deixou o argentino crescer e virar a partida. Fica o aprendizado para quem cresce a passos largos, mas ainda vive um período de oscilação natural na transição para os torneios de nível ATP.

Assinatura Jonas

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